As Wayrakuna

As Wayrakuna

Wayrakuna somos nós, um movimento de indígenas mulheres, de diferentes contextos.

Nasceu da insurgência de guerreiras originárias, insubmissas ao sistema colonialista violentamente posto.

Somos a continuidade da luta de nossas antepassadas, que durante séculos foram como a ventania, invisível aos olhos e sentidos dos desatentos, mas imprescindível para a continuidade da vida.

Somos o resgate de muitas parentas capturadas.

Somos a polinização da vida e da morte.

Somos o bem escondido e o mal encontrado. Somos as sombras energizadas pela lua e pelo sol.

Somos as Wayrakuna, as filhas da ventania, semeadoras da vida e polinizadoras do Bem-Viver.

“Não deixaremos herdeiras de luta, porque seguiremos vivas, ainda que nos matem, continuaremos copiosamente existindo e dolorosamente florescendo sob os escombros dessa sociedade falida, que reza com as mãos sujas de sangue e ora de joelhos em templos erguidos sob os ossos de nossos antepassados. Essa é a memória que está presente em nossos dias, nos mostrando por onde seguir e é em nome dessa memória e dessa presença que resistimos. Por isso, continuaremos aqui, transitando entre os tempos, de forma eternal e ancestral.” (Kayapó, 2023)*

*KAYAPÓ, Aline Ngrenhatabare K. L.; LIMA-PAYAYÁ, Jamille da Silva; SCHUBERT-TUPINAMBÁ, Arlete M. Pinheiro. (Org.) Wayrakuna: Polinizando a vida e semeando o Bem Viver. Ponta Grossa: UEPG/Proex, 2023.

Conselheiras

Nádia Tupinambá, Eliane Potiguara, Márcia Mura, Irene Pankarita, Rose Ponce, Megue Tupinambá, Arlete Tupinambá, Edelamare Pankararu, Maria Muniz, Nega Tupinambá, Shirley Pankará, Darlene Taukane, Tereza Arapium, Eva Potiguara, Jovina Kaingang, Luakam Anambé, Telma Taurepang, Ruth Kayapo, ~Bekwynhpri Kayapo, Panh-ô.

Instituto Wayrakuna

Presidência

Presidenta: Aline Ngrenhtabare Lopes Kayapó

Pertence aos povos Tupinambá de Uruitá, Ayrama do Peru e Mebengokre do Pará. @panhonka, é escritora, ilustradora, ceramista, batedora de açaí, artista plástica, curadora, pesquisadora, co-fundadora do Movimento Plurinacional Wayrakuna, membra do Parlamento Indígena do Brasil, mãe e idealizadora da marca indígena ORIGINÁRIAS.

 

 

 

Vice: Nádia Akawã Tupinambá

Filha, mãe avó, liderança indígena, moro na aldeia Tukum, Território Indígena Tupinambá de Olivença, graduada pela Universidade Estadual da Bahia- UNEB - Arte Educadora Indígena e popular, artesã, formadora de educadores indígena da Bahia do programa Saberes Indígenas nas escolas e na formação continuada. Membro do Conselho da Universidade dos Povos, Membro do Fórum Estadual de Educação escolar Indígena. escritora , diretora áudio visual, produtora cultural, palestrante, Conferencista, Cerimonialista nas representações dos assuntos indígenas. mestra da Tradição Oral e membro da comissão de Mestre e mestra Griô da tradição oral. reconhecida como mestra de saberes através do prêmio de preservação dos bens culturais populares e identitárias da Bahia Emilia Biancardi 2020. Mulher medicina, conselheira espiritual e conselheira do Movimento plurinacional Wayrakuna uma rede artístico filosófica de indígena mulheres da América Latina e global ,Conselheira Fiscal do Instituto wayrakunas. Orientadoras das plantas a serem utilizadas antes durante e após o parto, manipuladoras das ervas medicinais de cura no feitio das pomadas, tinturas, águas de cheiro e óleos essenciais, sabonetes. Condutora das cerimônias com medicinas da floresta Ayawaska, cerimônia do Tabaco Rezado e Cantado com Memórias das Avós , da Cerimônia do sopro sagrado ( rapé Tupinambá), cerimônia do templo sagrado (útero) das mulheres para a cura ancestral com a ginecologia natural curativa e preventiva à mulheres de todas as idades. Parteira e condutora da roda de mulheres para o cuidado dos florai da lua e do sagrado feminino. Cuidadora e guardiã das sementes nativas e dos saberes ancestrais e imateriais, massoterapeuta e terapeuta holística, Fundadora da articulação da teia dos povos do sul da Bahia.

 

Secretárias

Bárbara Flores Borum-Kren

Mãe da Rhara, Cainã e Kauai. Pertencente ao povo Borum-Kren (Vale do Uaimií- Cordilheira do Espinhaço/MG). É membra fundadora do Movimento Plurinacional Wayrakuna. Possui Doutorado em Ciências Ambientais - UESC/BA. Pesquisadora visitante do Institute of Behavioral Science (IBS)/ University of Colorado - EUA. Co-fundadora das redes de pesquisadoras indígenas - GP/Wayrakuna (UFOP) e CWIAS (Center Wayrakuna of Indigenous Ancestral Science - IBS/ University of Colorado) - Pesquisadora de Pós-Doutorado e Integrante da Rede de Pesquisadores Indígenas e Ecólogos do Instituto Serrapilheira de Ecologia. Bolsista EOF ACADEMY/ Itália.

Suellen Ramos

Indígena Goyá, nascida e criada na periferia de Goiás. Cartomante, juremeira, produtora cultural e pesquisadora, também é cofundadora da Erva Daninha Produções Culturais, onde produziu e dirigiu o documentário “Catimbó: A Arte Ancestral do Cachimbo”. Finalista do Lab Jovens da Embaixada Francesa, programa de formação de jovens ativistas, atua pela valorização das vozes do Cerrado e das periferias. Licenciada em Letras – Português e especialista em Docência de Língua Portuguesa para Estrangeiros, é estudante de Produção e Direção Audiovisual. Em 2023, participou de mobilidade acadêmica na Universidad Veracruzana, no México, onde estudou antropologia linguística e viveu uma imersão junto a outros povos originários de Abya Yala. Em 2025, esteve no território Navajo junto à pesquisadora Bárbara Borum-Kren, colaborando em sua pesquisa de pós-doutorado, e foi uma das fundadoras, representando o Movimento Plurinacional Wayrakuna, do CWIAS na Universidade do Colorado.

Tesoureiras

Káritas Correia - Kunhã'dju Tanara Pataxó

Pertencente ao povo Pataxó , também é descendente dos povos Payayá e Tupinambá, graduanda em bacharelado e licenciatura em letras pela Universidade de São Paulo, onde integra o grupo de pesquisa Diálogo de estudos Bakhtinianos, em que dedica sua pesquisa à linguagem descaravélica. Ativista cultural junto ao Movimento de Teatro de Grupo e do Movimento Cultural Periférico da cidade de São Paulo, arteira, artesã, costureira, membra idealizadora e fundadora do Movimento Plurinacional Wayrakuna, rede ancestral artística, filosófica e cosmológica que se vincula à reflexão da resistência das indígenas mulheres no Brasil.

Jamille da Silva Lima-Payayá

Indígena Payayá. Atua no Movimento Associativo Indígena Payayá (MAIP), dedicando-se à educação indígena e à pesquisa histórica e geográfica referente aos povos indígenas na Bahia. Geógrafa, com doutorado em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professora do Núcleo Geral Comum da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da UNICAMP, atuando no Programa Formativo Intercultural para Ingressantes pelo Vestibular Indígena (ProFIIVI).

 

Conselheiras fiscais

Miguelina Cardoso Lopes

Nascida no território histórico e ancestral de Uruitá, zona do salgado, atualmente denominada de Vigia de Nazaré, localizada no nordeste do Pará. Pertence a duas nações indígenas muito poderosas: Tupinambá de Uruitá e Aymara do Peru. É artesã, escritora, dançarina, atriz e compositora. Graduada em serviço social pela Universidade Federal do Pará (2009), com Pós-graduação Lato Sensu em Serviço Social e Práticas em Saúde Básica e Hospitalar, pela Escola Superior da Amazônia - ESAMAZ. É conselheira e membra fundadora do Movimento Plurinacional Wayrakuna.

 

Márcia Mura

É educadora, escritora, doutora em História Social pela USP, aprendiz dos conhecimentos repassados pelas mais velhas e mais velhos, pratica a pedagogia da afirmação indígena a partir das aprendizagens vivenciadas no território e fazendo o caminho das águas pelos rios de memórias e a parir das vivências indígenas feitas com Tanã/Atatuyky Mura e Lucas/Antorokay Mura. Em 2010 foi contemplada com o prêmio de intercâmbio cultural pelo MINC. Faz uso da atuação na academia, nas escolas, na música, no cinema, na literatura e História indígena, como ferramenta de luta. Doutora em História Social pela USP. Autora dos Livros: 1. “ O espaço lembrado: experiências de vida em seringais da Amazônia, EDUA, 2013. 2. Tecendo fios de memórias Mura e de outros parentes, PACHAMAMA, 2022. O curumim do Rio do Machado, PDF, 2021. Faz parte de algumas coletâneas de literatura indígena, dentre elas, “As 29 Poetas Hoje, São Pulo, Companhia das Letras, 2021, “Álbum Biográfico: Guerreiras da ancestralidade”, Mulherio das Letras Indígenas, 2022, “Uma Antologia de Literatura Indígena – Originárias”, Companhia das Letras, 2023, “Wayrakuna: Polinizando a vida e semeando o Bem Viver”, UEPG, Ponta Grossa, 2023. Foi contemplada pelo primeiro edital da Agência Pública de Jornalistas indígenas, por meio do qual escreveu a matéria “A Vida antes e depois das Hidrelétricas” publicada em português no Brasil e em Francês em Paris e também resultou num minidoc. No campo do áudio visual dirige dois mini docs.: “Mura em Marcha”, 2021 “A Vida Antes e Depois das Hidrelétricas”, 2023. No campo da Música participei da composição de músicas do cantor popular Iremar Antônio Ferreira e compus uma música chamada: “Memórias Cantadas” que foi gravada pelo Instituto Cultural Ajurí de Parintins na Voz de Márcia Siqueira. Na academia atua como pesquisadora, Historiadora, Oralista na perspectiva indígena. No território atua como educadora e ao mesmo tempo aprendiz daqueles e daquelas que fazem roça e sabem dos saberes das águas, das florestas e dos seres que habitam esses espaços, vovós, vovôs, mãe, tias, tios, irmãs, irmãos, primas, primos, parentes afins e por afinidades da grande floresta genealógica que apresentei na minha tese de doutorado e fazem parte das vivências coletivas no dia-a-dia nos espaços onde nos entramos: território em reivindicações e os demarcados, nas reservas extrativistas, nos antigos seringais, nas localidades ribeirinhas e na cidade.

Arlete Schubert - Tupinambá

Nascida onde o sal beija a terra e o vento fala em língua antiga - nas marés da microrregião do Salgado, no Pará, chão sagrado do povo Tupinambá. É filha das águas que sabem guardar segredos e das vozes que se erguem mesmo quando o tempo tenta silenciá-las. Mulher de muitas travessias, é ativista, pesquisadora, historiadora com mestrado e doutora em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Investiga as movimentações indígenas, a etnogênese, a retomada cultural que brota no asfalto das cidades como erva teimosa — lembrando que o espírito indígena não se perde, apenas se reinventa. Professora da Faculdade Unida de Vitória (ES), atua no Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões (PPGCR), Arlete semeia pontes entre o sagrado e o cotidiano, entre o que se aprende com livros e o que se aprende com a Wayra. É conselheira do Movimento Plurinacional Wayrakuna e vice-líder do Grupo de Pesquisa Wayrakuna de Indígenas Mulheres Pesquisadoras (UFOP/UNIDA/CNPq). Junto com as Wayrakuna, poliniza a vida e espalha o bem viver, como quem sopra pólen de futuro sobre a terra cansada. Caminha entre o corpoterritório e o pensamento, entre o corpo que também é memória e a palavra que ensina. Sua pesquisa floresce das lutas territoriais dos povos indígenas — sementes de resistência, escola viva de um saber que não se curva. Entre 2000 e 2007, tecendo redes de força e esperança, participou integralmente da organização da retomada da TI Tupinikim e Guarani no ES. Autora de “Lutas Territoriais Tupinikim:” (2018) e coorganizadora de “Wayrakuna: Polinizando a vida e semeando o bem viver” (Coleção Retomadas, 2023) e do livro sobre Retomadas indígenas em contexto urbano (2025), que articulou com o corpo inteiro porque escrever é também rezar, recordar e resistir. Carrega ainda especializações em História e Cultura dos Povos Indígenas e em Educação para as Relações Étnico-Raciais — mas sua maior titulação vem da ancestralidade que a habita. Em cada gesto, reafirma que as lutas e as retomadas são processos educativos, e um ato de retorno, um convite a lembrar quem somos. E, em seu caminhar, ecoa o chamado dos que nunca deixaram de existir: as vozes da floresta, as águas do Salgado, e o coração indomável do povo Tupinambá.

Site MPW

Editora: Yaní Yéte

Artista nascida em Teresina (PI). Indígena pertencente aos povos Anapuru Muypurá (MA) e Takarijú  (PI). É dançarina, poeta, slammer, performer, artista circense, artesã, arte-educadora, ativista e professora de dança. Pesquisa as circularidades do movimento com foco na dança com bambolês, com a qual atua há quase 10 anos através do seu projeto "Corpos em Gira". Licenciada em História (UFPI), atualmente está concluindo uma Especialização em Direitos Humanos. Em 2024 atuou como pesquisadora da FioCruz Piauí, na linha de Ciências Sociais em Saúde, onde pesquisou sobre o impacto da emergência climática e racismo ambiental nos biomas Cerrado e Caatinga, principalmente nas comunidades indígenas do Piauí. Em 2025 foi selecionada para representar o Piauí no 10 Fórum Nacional de Mulheres do Hip-Hop (Salvador/BA), na categoria Slam (poesia marginal), foi a primeira vez que o Piauí participou do fórum e também o primeiro Slam a ser realizado no evento. Em 2022, idealizou o encontro on-line Dança Medicina, que mais tarde floresceu na Sapucaias (coletivo indígena de pesquisa e experimentação em dança). É integrante da Wayrakuna - Movimento Plurinacional de Indígenas Mulheres, do Mulherio das Letras Indígenas e do coletivo Kumbuka.

Nossas Publicações

Terra, Teto e Trabalho – Por que o território deve anteceder todas as lutas?

As Filhas da Ventania

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